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Castelar e Nelson Dantas...
Esperava mais, muito mais do novo filme do Prates Correia. Gosto muito dos filmes antigos dele, sobretudo do Perdida e do Cabaré Mineiro, e sabia que esse quase-documentário era sobre o cinema mineiro segundo as lembranças do Prates, então tive a expectativa de ver um filme emocionante, conforme já tinham dito por aí. Mas acho que o filme traz muitas referências e nenhuma contextualização, parecendo ser uma brincadeira poética a partir de um álbum de juventude. Isso poderia ser bem legal, mas o clima poético-emotivo do filme acaba não se casando muito com a vontade de nos apresentar aquelas referências todas - boa parte do que surge na tela me pareceu meio inexpressivo, no sentido de que só exprime emoção pra quem viveu e conhece tudo aquilo; no fim das contas, parece que só a própria pessoa que pensou aquilo vai entender as brincadeiras da narrativa. O filme tem um ponto de partida interessante por ser uma poesia da memória autobiográfica e, simultaneamente, uma autobiografia em que a vida se confunde aos filmes feitos. Mas nem os filmes feitos nem a memória autobiográfica são apresentados de modo que nos transmitam o vigor do afeto por aquilo tudo. Decerto o filme deve ser uma experiência emotiva bem forte pro seu protagonista-autor Castelar, mas da minha parte devo dizer que eu não me comuniquei muito com a obra não.
Escrito por daniel às 02h31
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Programações
Só pra dar uma divulgação pra mostras legais que estão chegando agora que acabou a farra da época Festival do Rio + Mostra de SP: aqui no Rio começou ontem no CCBB uma mostra maravilhosa com todos os filmes sobreviventes do Murnau - tipo da coisa imperdível mesmo pra quem não viu no cinema (alguns são bem bem raros). Hoje começa a Curta Cinema, que esse ano inclui homenagens ao Bressane e a nossos mui queridos Carlão Reichenbach e Andrea Tonacci, além de uma sessão com curtas do Jonas Mekas, além dos muitos curtas brasileiros inéditos no Rio. E logo logo chega ao Rio a mostra de Nouvelle Vague Indiana, que no momento está ocupando o CCBB de SP com filmes do Satyajit Ray e seus conterrâneos.
Dá pra fazer uma analogia, talvez meio boba: como eu gosto de rodas de samba, já sei que a pior época pra se ouvir samba realmente bom no Rio de Janeiro é justamente o carnaval. Ok, seria um exagero maldoso dizer isso dos grandes festivais, mas, enfim, vocês entenderam.
Escrito por daniel às 02h10
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Qual é a relação da prefeitura do Rio com o cinema?
A resposta é bem conhecida: Riofilme, oras.
A Riofilme foi criada durante a gestão do Marcello Alencar na prefeitura. Ganhou alguma força e relevância quando apoiou o lançamento de alguns filmes que se tornaram bem conhecidos nos meados dos anos 90: Central do Brasil, Pequeno Dicionário Amoroso etc. Já há muitos anos, desde que os filmes brasileiros começaram a acertar outros esquemas de distribuição, tanto com os gringos quanto com independentes, a Riofilme acabou se tornando uma distribuidora de lançamentos pequenos, por conta de dificuldades eternas de orçamento.
Na verdade, não exatamente eternas. A Riofilme chegou a ter bastante prestígio no orçamento municipal durante uns poucos anos da era César Maia, sobretudo no mandato que se seguiu à gestão do Luiz Paulo Conde. Isso aconteceu naqueles anos em que o prefeito e o seu secretário "das culturas" pretendiam destinar recursos faraônicos para projetos caros na área de artes: tentaram fazer o museu Guggenheim e acabaram torrando uma nota nessa tal de Cidade da Música. Depois que a relação de confiança entre o prefeito e o secretário "das culturas" se detonou, os projetos foram deixados à míngua, apesar de terem "gestores" bastante conhecidos, o José Wilker na Riofilme e, por um bom tempo, o Miguel Fallabela na Rioarte. Ambos, como se sabe, se viram limitados a ficar com o pires na mão por longos períodos.
Mas a Riofilme conseguiu uma sobrevida nos últimos anos graças a um mecanismo de apoio da Ancine, o programa Adicional de Renda. Adaptado de uma versão original dos anos 60, esse programa garantiu um repasse de verbas direto da autarquia federal para a empresa municipal. Foi assim que a Riofilme pôde investir no lançamento de alguns filmes nos últimos tempos.
O esquema tem algo de absurdo, já que cabe a uma empresa municipal fazer o trabalho de lançamento, mas a verba que a mantém é federal. Mas há que se considerar que o Estado brasileiro, nas suas três esferas, se exime de legislar, julgar e organizar os esquemas de difusão de filmes (veja-se a lei do curta, veja-se o direito constitucional de produção independente nas redes de tv etc...). Diante disso, o remendo que representa essa graninha que a Ancine repassa à Riofilme pode ser uma alternativa viável para determinadas produções que ficam à margem dos grandes esquemas. Remendo sim, mas é melhor que nada, não é mesmo?
(cabe esclarecer aos eventuais leitores desavisados que, graças a esse bendito mecanismo de apoio da Ancine à Riofilme, foi lançado no circuito de cinema Conceição, o longa em que este que vos escreve trabalhou em diversas funções por alguns anos - do mesmo modo como vêm sendo lançados com este apoio muitos outros filmes brasileiros de 2007 pra cá, tanto pela Riofilme quanto pelas demais distribuidoras).
Enfim, Eduardo Paes assumirá a prefeitura no início do ano. Receberá a Riofilme inteiramente abandonada pelo governo municipal, dependente do recurso ancinesco do programa Adicional de Renda. Em entrevista recente à Zé Pereira, Mariza Leão, a primeira presidente da Riofilme, classificou-a como "caixão ainda aberto". Paes ainda não apresentou suas propostas para o futuro da empresa, mas não acho impossível que ele acerte o passo das coisas (e não apenas em relação à Riofilme - a herança do César Maia é braba...). No cargo para que se elegeu, ele pode agir para que a empresa cresça, pode deixá-la nesse esquema miserável ou pode até piorar a situação - mas é sempre melhor esperar que o melhor aconteça, afinal de contas. Planos bacanas e já antigos podem acontecer - salas com equipamento digital, distribuição de DVD e por aí vai.
E, já que um dos seus principais pontos de campanha falava do bom relacionamento com as esferas federais e estaduais, cabe torcer também para que os responsáveis pelas respectivas áreas - Ancine e repartições de cultura - trabalhem pra não deixar a Riofilme nesse esquema brabo de não poder fazer nada além de atirar os filmes num mercado hostil a ela.
Escrito por daniel às 05h04
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... vota no Gabeira
O voto do redator deste blog no próximo domingo será para Fernando Gabeira. Não sou tão empolgado com o jeito de Gabeira como são alguns amigos meus e sei que uma figura que representa tão bem a tradição da esquerda ipanemense é bem mais conservadora do que parece. Mas numa escolha entre um ou outro, entre Gabeira, o candidato elitista de Ipanema, e Eduardo Paes, o candidato demagogo e errático da Barra, não dá pra ter dúvida, ainda mais pelo jogo pesado que vem acontecendo no Rio, como vem sendo noticiado por aí (há um bom comentário sobre isso no blog do Noblat). A essa altura, não há mais dúvida de que só quem não se importa com o que seu candidato faz é que vota em Eduardo Paes (e eu juro que a rima pobre é intencional).
Ah, e esse blog também declara apoio a Barack Obama. That´s show business!
Escrito por daniel às 17h51
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só é possível filosofar em alemão.........
Na chuvosa noite de domingo, eu estava indo ver a peça Warum Warum, dirigida pelo Peter Brook e apresentada no novo teatro do Jardim Botânico. Aí o táxi em que eu estava com Carol e minha mãe parou por um minuto e encontramos a querida Clarinha Linhart, minha parceira na realização do O Mundo de um Filme (junto com a Camila). Clara nos viu, chegou na janela do táxi e curtiu uma com a nossa cara: "vocês não vão me dizer que estão indo ver a peça do Peter Brook, né? que clichê!". Ainda me sacaneou: "só falta você escrever depois no Passarim sobre a peça...". Pois é, mas a gozação da Clara acabou sendo a parte mais divertida da noite. Ok, o jantar depois da peça também foi bom, mas o que eu quis dizer é que a peça em si foi um tanto quanto, enfim, um tanto quanto decepcionante. A atriz Miriam Goldschmidt falava em alemão e a gente tinha que acompanhar o texto através de legendas que ficavam no alto do palco. Até aí tudo bem, mas as legendas falhavam um bocado - e mesmo assim boa parte da platéia ria das piadas dela, o que prova que o pessoal tá bem afiado no alemão. E, claro, tudo bem que as legendas falhassem um bocado, mas o pior é que a fala dela não chegava a constituir uma personagem num monólogo: eram frases bastante interessantes sobre teatro e eu acho bacana a idéia da busca pelo despojamento artístico, mas acho que mesmo o despojamento extremo acaba ficando meio vazio se tudo que temos é uma atriz fazendo as vezes de showman num texto sobre o que é o teatro. O esquema era parecido com o Hamlet que o mesmo Brook dirigiu e foi apresentado no Rio há cinco anos - mas ali, mesmo que o ator William Nadylam falasse com a platéia do mesmo jeito irônico, havia o interesse pelo que se fazia com Hamlet, um personagem que pairava sobre a peça como um fantasma. Dessa vez simplesmente não tinha personagem...Ela menciona em certo momento a despropositada questão sobre o teatro se tornar literatura, como se a existência do teatro dependesse unicamente de ele ser não-literatura. Ora, a questão não faz sentido: o teatro é o teatro, tem questões inteiramente diversas da literatura, mas não me parece que dramas, sentimentos e personagens sejam conceitos pertencentes apenas ao modo de expressão literário. Não me empolgou muito esse teatro-sem-drama, teatro que é misto de tese e stand-up comedy. Talvez o assunto que ele quer abordar fique mais interessante quando o Peter Brook escrever um livro sobre isso, se é que ainda não o fez.
(taí, Clarinha!)
Escrito por daniel às 03h35
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O Fim da Picada
Recebi hoje um email de divulgação do pessoal do CineEsquemaNovo contando que O Fim da Picada, filme dirigido pelo Christian Saghaard, foi escolhido pelo júri o melhor da competição. Achei bem bacana por gostar bastante do filme, e também achei importante por nos fazer lembrar que O Fim da Picada não está sendo exibido na Mostra de São Paulo, justo esse filme que retrata a cidade de modo tão cruel - talvez seja por isso mesmo, não sei. Mas é curioso que acusem o pessoal da Mostra de exibir tudo que aparece, sem critério. Baita injustiça com os caras, e eu mesmo posso testemunhar isso por ter inscrito o Conceição lá e não ter entrado. Outro que me lembro que não foi exibido, por exemplo, foi o nosso querido Serras da Desordem. Aliás, o mesmo se deu em relação ao Festival do Rio. Bem, com relação ao Conceição a gente sempre poderia alegar que a cópia 35mm não estava pronta (na verdade, ainda estávamos mixando o filme na época das inscrições no Rio e em SP) e, sendo sincero, não sei se o Tonacci inscreveu o filme na Mostra de SP, nunca perguntei. Viva a Mostra e o Festival, ainda bem pra nós que gostamos de cinema que eles existem no Rio e em SP; mas o problema é dar a impressão de que exibem um panorama completo. Não o fazem na produção internacional, nem na nacional, e é bastante ruim que alguns marqueteiros vendam essa imagem e que parte da imprensa eventualmente compre o peixe.
Enfim, até pelos casos pregressos que mencionei vocês devem imaginar que a minha simpatia pelo O Fim da Picada cresce ainda mais. Mas a verdade é que virei fã desde que vi o filme pela primeira vez, quando a gente estava selecionando os filmes pro Riofan, alguns meses atrás. Já tinha visto os curtas do Christian e gostado sem grande empolgação, mas fiquei bem impressionado por esse longa enlouquecido e irado (que fez o Valente me dizer, no final da estréia que rolou no Riofan, que até que o Conceição não era um filme tão doido assim). O Fim da Picada pode ser excessivo, extremo e desconjuntado na sua imaginação cruel - no fim das contas, é uma prova fílmica de que São Paulo conjuga realidade e pesadelo: é um filme de horror em que o inferno é a cidade. Não é um filme facilmente palatável, mas é uma descarga de energia e tanto. Espero que ele consiga circular bem por aí, pra quem gosta de cinema poder ver.
Escrito por daniel às 06h55
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Hollywood se curva ante o novelismo pátrio
Só há uns dias que eu fui ver em DVD, com Carol e a companhia de um comentarista eventual do blog, o Homem de Ferro com o Downey Jr. e o Jeff Bridges. Não me empolgou muito, o início é bem melhor que o final e as cenas de ação entre bonecos de lata me pareceram bem chatinhas. Isso é um problema de o herói do filme estar dentro de uma armadura, sem rosto, em brigas filmadas com muita computação gráfica - tudo acaba parecendo videogame, e o pior é que a gente assiste ao jogo sem participar.
Mas o enredo é bem divertido - falei pra Carol umas quatro vezes durante o filme que aquilo tudo parecia novela da Glória Perez. Numa boa, olha só a história: depois de ser sequestrado, o maior industrial de armas do mundo resolve mudar os rumos da sua empresa, para deixar de fazer armas e passar a criar geradores de energia ecologicamente corretos. No entanto, o velho amigo de seu pai, que sempre foi o seu braço direito, vê na situação a oportunidade para trair o patrão e tomar-lhe o lugar. É ou não é pura Glória Perez?
Escrito por daniel às 02h26
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Opus 3 nº 1 - pra confundir mais
Falei no post abaixo que iria falar com o bróder Improta pra saber se era nesse disco do Moacir Santos, Opus 3 nº1, que o João Donato tocava piano (ou se era só no Ouro Negro ou em algum outro). Bem, falei com o Improta e confesso que acho tudo mais confuso, porque ele me falou que conseguiu a ficha técnica do disco com a família do Moacir e ela seria a seguinte:
Moacir Santos: vocal & baritone sax Bill Hood: woodwinds Abraham Lewak: piano Bob Saraiva: bass Jerry Redmond: drums João Donato: percussion Frank Ponti/Alicia Rodrigues: voices
O que parece misterioso é o seguinte: o Donato participou do disco tocando percussão? Somente percussão?! Isso soa estranho, porque o sujeito já gravou eventualmente como acordeonista e trombonista, mas como percussionista eu nunca tinha ouvido falar. E o piano de algumas faixas é tão parecido com o seu estilo que, enfim... Enfim, como o Moacir já faleceu, talvez isso pudesse ser esclarecido pelo Mário Adnet e pelo Zé Nogueira, que trabalharam em cima da obra dele nos últimos anos. Ou talvez apenas o próprio Donato possa explicar a sua participação (que talvez tenha sido o início e o fim da sua breve carreira como percussionista...) nesse disco do Moacir.
De todo jeito, continua sendo meu disco predileto do maestro.
Escrito por daniel às 02h24
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Moacir Santos
Não sei se todo mundo já sabe, mas já tem algum tempo que os quatro discos que o Moacir Santos lançou ao longo de sua carreira nos EUA podem ser baixados na web. São eles: - The Maestro - Saudade - Carnival of the spirits - Opus 3 nº1
Como são discos que foram disponibilizados por alguns blogs de música, apesar de nunca terem sido lançados no Brasil, acho legal dar a dica aqui - e vale comemorar o trabalho desses blogs em botar na web essas preciosidades. Os discos são bem bonitos, talvez mais do que o que ele gravou no Brasil, o Coisas. Meus predileto tem sido o último, Opus 3 nº1, que tem algumas faixas realmente incríveis.

O Improta (que fez sua dissertação de mestrado sobre o uso do baixo e bateria nos arranjos do Moacir) me contou que o Donato toca em uma faixa (ou mais de uma, não estou certo). Nem me lembro bem se era mesmo nesse disco que o Donato tocava (ou se era no Ouro Negro, o disco de uns anos atrás com regravações das coisas do Moacir), mas o solo de piano em Love is a happening thing é bonito pra chuchu, então preciso me lembrar de conferir isso com o Gabriel. Na web eu já achei os os nomes dos músicos dos outros discos, mas desse aí eu procurei um bocado e até agora nada.
Escrito por daniel às 04h23
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terminando o Festival
Fiquei pensando mais um pouco sobre o Loki, sobre o qual já escrevi numa nota aqui embaixo, e resolvi voltar ao assunto aqui por conta do comentário do Rodrigo (que, aliás, como anunciou, agora também tem blog - e já começou de um jeito genial, com um post sobre o Costinha). É que fiquei achando que o que eu disse sobre algumas coisas que me incomodaram no filme poderia dar a entender que não curti - e, olha, realmente os tais depoimentos explicativos são meio dispensáveis, mas achei o filme bem bonito porque o personagem se impõe e é fascinante. Uma coisa que eu não contei aqui é que, no final da sessão do Odeon, assim que se iniciaram os letreiros finais, toda a platéia começou a aplaudir e... todos os aplausos se viraram na direção de Arnaldo Baptista. Isso me impressionou bastante, porque dava pra perceber que todo mundo tinha gostado do filme, mas gostaram por causa de Arnaldo. E isso não é demérito, porque é o filme se dedica a fazer isso mesmo, a construir esse perfil romântico do gênio desajustado. E não consegui não pensar em como a carência é parte da natureza de certos artistas, como é o caso de Arnaldo Baptista. Afinal de contas, dá pra imaginar quantos milhões de aplausos Arnaldo já escutou por seu trabalho - mas basta estes aplausos se interromperem para ser preciso ouvi-los de novo. Era muito bonito ver a alegria dele em receber essa homenagem, muito bonito mesmo, mas foi inevitável imaginar que esse vício pelo amor do público, de certo modo, foi o veneno do Arnaldo.
Também fui ver com Carol A Canção de Baal, dirigido pela Helena Ignez, pessoa genial, de uma afetividade maravilhosa e uma lucidez impressionante. Por toda a trajetória de Helena, pela sua personalidade e pelo carinho que ela merece, era natural que a gente esperasse do filme mais do que ele pode dar. De todo modo, há um gosto pelo risco, Carol adorou ouvir um depoimento do próprio Bertold Brecht e eu gostei de algumas imagens muito bonitas, de algumas relações selvagens entre personagens. Mas nós dois ficamos com a impressão de que o personagem Baal precisava de um ator mais carismático que o Carlos Careqa: Baal precisaria ser mais sedutor e mais exuberante para nos fascinar e dar sentido ao personagem, que deveria ser ao mesmo tempo um gênio e um cafajeste. Helena segue sendo a artista genial e figura maravilhosa que é, mas o filme não nos cativou.
Ontem fui ver o filme o Sonata de Tóquio, do Kiyoshi Kuroisawa, e achei bonito pacas. Teve uma hora em que eu achei que ele ia jogar o filme fora, fazendo um retrato banal das infelicidades de uma família em processo de desmoronamento - mas o jeito que o filme encontra pra terminar sua história traz um grau de maravilhamento que parece solucionar qualquer mal-estar gratuito que, segundo eu temia em certa altura, poderia contaminar o filme inteiro. A Beleza se impõe, faz a gente esquecer de todo o resto e permite que a vida siga adiante, é o que esse final parece dizer e mostrar.
Depois vi com Carol o Sad Future, dirigido pelo Aoyama, e também gostei, mas sem tanta empolgação. O filme tem alguns momentos bem legais, tem uma relação entre mãe e filho que está entre as mais bizarras que já vi no cinema e um final esforçadamente poético, como bem gosta o Aoyama - mas aí tem essas coisas de festival: depois da beleza impressionante do final do Sonata de Tóquio, a poesia a fórceps do Sad Future acaba parecendo consideravelmente menor.
Pra encerrar o festival, uma pizzazinha na Cobal na companhia do bróder Filipe Furtado. E, pra variar, dos filmes que listei como os que mais queria ver, não consegui ver quase nenhum, fosse por tempo ou idiossincrasias familiares ou pessoais. Agora, nessa repescagem o único filme que não vi, quero ver e vou poder encaixar no horário é o do Coppola. Se tudo der certo, esse eu confiro no domingão.
Escrito por daniel às 21h32
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Teatrinho pra boi dormir
Li agora o post do nosso querido Ricardo Calil sobre a iniciativa da Ancine de criar subsídios para a exibição de filmes brasileiros, com a tentativa experimental de oferecer os ingressos para filmes brasileiros a apenas R$ 4,00 durante as primeiras semanas de novembro. Bem, qualquer trabalho para tornar os filmes brasileiros acessíveis a todos é sempre louvável. Mas confesso que esse esquema me incomoda por alguns motivos. Primeiro porque isso denota a criação de um gueto para os filmes brasileiros. De quebra, isso representa uma transferência de renda para os exibidores sem qualquer garantia de continuidade - mas isso nem me pareceria grave se fizesse parte de um programa contínuo de estruturação da difusão de filmes. Só que essa difusão se torna limitada pelo reduzido número de salas que temos no país - e é esse o ponto que mais me incomoda.
Outro dia o Globo publicou aquela reportagem sobre as tendências do público que frequenta cinema no Brasil, a partir de uma pesquisa paga pelos próprios exibidores, e o principal aspecto dessa pesquisa não foi realçado: a parcela da população que ainda vai a salas de cinema é consideravelmente minoritária no país. Certo, isso não foi ressaltado porque todo mundo já sabe. Mas dá pra imaginar o seguinte cenário pra daqui a uns anos: o país com uma população superior a 200 milhões de pessoas, a parcela que frequenta cinemas cair pra menos de 5% da população e a Ancine, desesperada, oferecer dinheiro pra quem for ver filmes brasileiros em salas de cinema. Só falta isso mesmo: patrocinar o espectador. Porque o resto da turma já tem seu quinhão garantido (pelo menos os bem-aquinhoados, é claro).
E isso acontece por quê? Porque mais da metade da população brasileira só assiste a filmes em DVD ou na TV aberta. E a Ancine não quer se meter nessa briga. Não tem filme brasileiro na TV aberta? Bem, a Ancine não tem nada a ver com isso... Aí tem que ficar inventando esses troços pra parecer que seus executivos estão preocupadíssimos com a difusão dos filmes brasileiros em território nacional.
Posso estar de pura implicância, mas confesso que isso me parece apenas o caso de manter um pouco a pose pra esperar o boi pegar no sono. O pessoal tenta mostrar serviço e eu bem que gostaria de acreditar que essa iniciativa pode resolver pelo menos uma parte dos nossos problemas de difusão, mas não consigo acreditar não. Infelizmente.
Escrito por daniel às 19h17
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quatro sessões do Festival
Se nada mais der certo
Achei uma beleza de filme. Fui com Carol, ela gostou mais ainda. Por outro lado, figuras como Kléber e Débora não curtiram. Buenas, os três longas que eu vi assinados pelo Zé Eduardo Belmonte (não vi Meu mundo em perigo) têm pelo menos uma característica em comum: tanto Subterrâneos quando A Concepção são filmes que, assim como Se nada mais der certo, preferem o excesso à contenção. Mas a Carol fez uma comparação interessante no final do filme - ela notou que ele consegue fazer tudo que o Nossa vida não cabe num Opala não consegue. Quer dizer, da mesma maneira que no outro filme, os caras são uns fudidos e o enredo mostra eles se enfiando numa ladeira abaixo, mas Se nada mais der certo não é um filme de aquário: ao contrário, parece que o filme fica grudado nas questões deles - parece mesmo que, se os personagens tiverem que nadar, o filme vai preferir o risco de se afogar a ter que se distanciar deles, e o afeto que esses personagens criam entre si, por mais inverossímil que às vezes possa parecer, contribui bastante para o impacto disso tudo. Os atores estão bem pacas e, desse jeito meio grosseirão, misturando os climas de filme de ação da ralé com instantes de intimidade dos personagens, o filme acaba tendo momentos que me pareceram bem bacanas, bem fortes.
Loki - Arnaldo Baptista
Em seguida ao filme do Belmonte, que rolou no Palácio, não resisti a dar um pulo na frente do Odeon e acabei indo ver Loki, o filme sobre o mítico líder dos Mutantes, avisado que fui da chance reduzida (pelo menos até o momento) de ele vir a ser lançado em circuito. Pra dar uma idéia da comoção que foi a sessão, basta dizer o seguinte: era um documentário sobre a vida de Arnaldo Baptista e ele estava presente. É claro que a presença do retratado torna qualquer sessão de um documentário biográfico mais emocionante, mas o caso aqui é bastante especial: para além de o filme ser inteiramente louvatório, a vida de Arnaldo Baptista é incrivelmente dramática. E tudo isso é narrado pelo filme, desde o período do auge da criatividade e popularidade ainda no final da adolescência, nos primeiros anos dos Mutantes, passando pelo uso de drogas, pela separação de Rita, pela saída do grupo, pela época das internações, a tentativa de suicídio e a recuperação do período em coma, até a volta dos Mutantes em alguns shows recentes. Teve algumas coisas no filme de que não gostei. Tem vários depoimentos que só servem para "situar historicamente o espectador", ou seja, pra dizer às pessoas o que elas devem entender: todos os de Nelson Motta, Sean Lennon, Lobão e Tárik de Souza me parecem inteiramente descartáveis - acho que o filme não precisava de nenhum deles para explicar aos espectadores a importância do Arnaldo. Além disso, como se pode imaginar, Rita Lee acaba ficando com o papel de vilã e os demais tropicalistas (inclusive os outros integrantes dos Mutantes) parecem não ter muita importância diante da necessidade de criar "o retrato de um gênio maldito". Mas esse é o ponto: o filme assume explicitamente a opção de apresentar este personagem, o gênio desajustado, o artista cuja trajetória vai do auge à dor e termina na ressurreição. Com seu talento e sua trajetória, Arnaldo é o personagem perfeito para o discurso romântico sobre o papel socialmente instável do gênio criador: para ser um artista original é preciso fazer coisas diferentes de todo o resto, e para se adequar à sociedade é preciso agir como todos os demais - logo, o gênio está condenado ao infortúnio.
Minha mágica
Roubada total do festival. O filme é ruim de doer, com sua historinha constrangedora sobre o pai que faz de tudo pra arrumar dinheiro pro filho. Se o Zavattini soubesse que ia acabar nisso, acho que ele ia chorar. De quebra, foi exibido numa projeção digital de última categoria.
Quatro noites com Anna
Filme bem bonito, bem triste. Dos que vi do Skolimowski, talvez tenha sido o de que mais gostei. Agora, acho bem bizarro como as questões de comunicabilidade, nos filmes dele, acabam descambando pra uma travação completa. Especialmente nesse filme, parece que os corpos não conseguem se aproximar sem sofrimento. Tá vendo? É isso que dá viver num país sem samba na Lapa.
Escrito por daniel às 05h18
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Conceição em SP amanhã, segunda-feira
Aviso aos paulistanos: dentro da programação da IX Semana do Audiovisual, promovida pelo
pessoal de cinema da Eca-Usp, nosso Conceição - autor bom é autor morto
vai ser exibido no Cinusp amanhã, segunda-feira, às 19hs, com projeção em
35mm e entrada gratuita.

Escrito por daniel às 20h44
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Ressaca - uma cronicrítica
Acabou que ainda na noite de sexta deu pra encaixar uma sessãozinha - à meia-noite, depois de chegar de Rio das Ostras. O dia tinha sido cansativo, mas divertido. De manhã, a reunião do colegiado do Puro, que costuma ser chatíssima como todas as reuniões, foi surpreendida pela invasão de uns vinte alunos, que foram lá pra protestar contra o novo regimento do colegiado. Ok, o assunto era tão chato como de hábito e a discussão teve seus momentos constrangedores, mas é sempre divertido ver manifestação de estudantes revoltados, não é mesmo? Depois do almoço, rolou a aulinha básica - mas, como o tema era estética nietzscheana, resolvi tentar animar o negócio: primeiro a gente fez uma leitura da genial As Rãs, peça do Aristófanes, que eu argumentei ser, de certo modo, a base para a crítica do Nietzsche ao socratismo e ao decadentismo grego, ou seja, a base não apenas para suas idéias sobre estética mas sobre filosofia como um todo. Pra quem não conhece a peça: o Aristófanes cria uma cena em que Dionísio desce ao Hades com o intuito de resgatar um poeta trágico e, por um desses azares, acaba se tornando juiz de uma disputa entre Eurípedes e Ésquilo. Isso serve para o Nietzsche apontar o socratismo do Eurípedes como o marco da decadência do teatro musical grego e, a partir disso, defender o fundamento dionisíaco da arte. Bem, diante de um assunto desses, depois de ler a peça eu resolvi sugerir à turma que fôssemos tomar uma cerveja na lanchonete em frente ao Puro, e foi lá que continuou a conversa. Então foi assim, com algumas cervas na cabeça, que eu voltei pro Rio e, tão logo cheguei em casa, eu e Carol corremos pro Estação 1. Corremos um pouco à toa, porque o negócio estava programado pra começar à meia-noite e acabou começando à uma da madruga.
O esquema era o seguinte: no palco em frente à tela, ficava alguém fazendo as vezes de VJ para o filme exibido. Primeiro foram exibidos dois curtas de uma finlandesa chamada Mia Makela, em seguida foi apresentado pela primeira vez no Rio o Ressaca, do Bruno Vianna. Sendo bastante simples e direto, o problema maior que unia os três filmes, ou seja, que tornava meio bizarra a proposta de live cinema - o nome que o Festival deu à sessão é em inglês mesmo - o problema maior, eu dizia, é que toda essa parafernália em frente à tela parecia inteiramente inútil pra quem estava assistindo da platéia. Talvez os envolvidos tenham se divertido em ir pro meio do palco e feito algumas escolhas de improviso, mas, sinceramente, a minha experiência pessoal é que aquelas pessoas no palco não despertavam o menor interesse. Não sei se fui claro, mas o problema que eu vi é que o palco não é usado pra nada - os realizadores ou músicos ficam na frente da tela, diante do público, mas não vi nada de interessante em tê-los à nossa frente.
No caso dos filmes da finlandesa, eles são compostos apenas por atmosferas audiovisuais que não definem qualquer narrativa, que apelam para uma recepção inteiramente sensorial de imagens e sons. Achei mais interessante pra fazer pensar sobre a relação entre narrativa e estímulo sensorial que é própria do cinema: é uma relação em que o experimentalismo é comumente associado ao aspecto sensorial, obviamente porque o esquemão industrial, mais do que encaretar as narrativas, tende a definir padrões de sensações. Só que, como eu disse, a presença da VJ/cineasta no palco podia ter muito a ver com o conceito da parada, mas parecia meio desnecessário, porque ela podia estar fazendo muitas coisas relacionadas à projeção no computador em que mexia, no entanto a gente da platéia não tinha como saber o que ela estava fazendo. Como bem observou uma amiga, pra quem estava olhando pra tela não fazia diferença se a realizadora estava escolhendo sons e imagens ou se estava apenas checando emails enquanto o filme era projetado.
Depois teve o projeto/filme Ressaca. Fiz questão de diferenciar projeto e filme porque eu diria que o filme, se um dia existir por si só, parece poder vir a ser bastante bom - pelo que eu vi, pode vir a ser o melhor filme do Bruno. Mas acerca do projeto que não era filme, aconteceram problemas técnicos que talvez tenham interferido na recepção do filme - ou, esse é meu receio, o projeto não apenas não tem o que acrescentar ao filme como só o atrapalha, e não apenas porque tem duas pessoas fazendo na hora a trilha sonora, em cima do palco. Digo isso com um bocado de tristeza justamente porque gostei bastante do filme (e não do projeto). Eu ficarei bastante contente se vier a saber que o Bruno pretende montar uma versão definitiva do filme (ou, sei lá, duas ou até três), que as pessoas poderão assistir em salas de cinema ou nas suas TVs da forma tornada clássica nos últimos cem anos - aí eu não só vou querer ver o filme nessa versão definitiva, como também vou dizer pra todo mundo que, pelo que eu vi, vale a pena conferir, porque Ressaca, o filme, tem cenas realmente muito boas.
Trata-se da história, ou melhor, de episódios da adolescência de um garoto e seus amigos nos anos 80 e 90. A comparação óbvia seria com Podecrer, e o Ressaca, pelo que vi, sai-se muitíssimo melhor em retratar os ambientes e as questões dos jovens da época (assim como o filme anterior do Bruno Vianna tinha trama parecida com a de Era Uma Vez... e, embora tenha duas versões, ambas são bem melhores do que o filme do Breno Silveira). Do filme que vi, Ressaca tem bons atores, alguns ótimos diálogos, situações bastante boas. Mas isso era o filme. Voltando ao assunto que comentei acerca dos filmes da finlandesa, como filme o Ressaca é bem narrativo. Claro, tem momentos que podemos considerar bem sensoriais, como quando o garoto tira com uma agulha a "pele" criada com cola Polar, mas sempre se tratam de personagens de um enredo dramático.
Daí volto à questão sobre a presença de realizadores no palco. Bem, o Bruno Vianna não pôde fazer conforme tinha planejado originalmente -e el pretendia ficar no palco com um objeto redondo, razoavelmente grande, em que a platéia poderia ver a interface do computador - e, assim, ver ele fazendo o trabalho que, como eu disse antes, não dava pra ver a finlandesa fazer. Só que falhou o equipamento e, diante da falha, ficaram no palco somente os músicos Lucas Marcier e Rodrigo Marçal, selecionando na hora a trilha sonora.
Mas o que se ganha com isso, com a presença deles no palco? E mesmo que o Bruno estivesse no palco também, mexendo na interface (correndo o risco de parecer com o Tom Cruise naquelas cenas de Minority Report), de que modo isso enriquece o espetáculo?
Falei ali em cima sobre esse lance das relações entre as forças apolínea e dionisíaca. Talvez o modo de se ver filmes hoje em dia em salas de cinema seja apolíneo demais mesmo, e talvez seja até por isso que o interesse que desperta na sociedade esteja em decadência histórica (afinal, numa pesquisa recente não teve gente que reclamou que em cinema não dá pra paquerar?). Mas eu não classificaria como aparições dionisíacas a presença de dois DJs na frente da tela. Pode ser implicância minha. Logo no início, depois de ver a finlandesa, já tinha ficado convicto que, se é pra subir à cena, os artistas têm que representar papéis mais interessantes do que ficar mexendo em computadores. Sei lá, poderia ser mais interessante ter umas dançarinas semi-nuas, ou alguém fazendo cambalhotas, ou mesmo um sujeito metido a poeta berrando frases desconexas, enfim, o que quer que fosse. Seria inclusive mais interessante se, ao invés de dois DJs, tivéssemos instrumentistas de outra natureza no palco. Nada contra Lucas e Rodrigo, que são músicos e trilheiros geniais - mas a verdade é que pessoas mexendo em computadores ou qualquer tipo de seletores de música não é algo cenicamente interessante. Confesso que não me parece que traga qualquer benefício ou inovação ao espetáculo. Entendo que o projeto é ambicioso, acho ótimo isso, ter ambição faz bem; entendo a valorização do conceito de work-in-progress e todas essas conexões históricas que a gente pode traçar com artistas inovadores como Marcel Duchamp e Julio Cortázar - mas, no fim das contas, o que temos são apenas duas pessoas na frente da tela.
Outros tipos de interação poderiam ser criados? Possivelmente. Se num filme estritamente sensorial a ação fora-da-tela provavelmente se obrigaria a ser também sensorial (como músicos ao vivo), num filme narrativo seria possível pensar em relações entre personagens dentro-da-tela e fora-da-tela, com um ator encenando na hora. Mas essa é a principal questão que tive com a relação problemática entre o filme Ressaca e o projeto Ressaca: é que o filme parece não ter qualquer vocação para esse tipo de ressignificação. Pelo que eu soube do projeto, a cada exibição o filme terá uma montagem diferente, com trilha sonora diferente - a cada vez, algumas cenas serão subtraídas, outras adicionadas, sem ter jamais uma versão final da montagem. Como eu disse, espero muito que o Bruno não queira seguir esse caminho, porque o filme Ressaca que eu vi não apresenta nada que nos faça pensar na sedimentação de formas de criação artística, nem na valorização do work-in-progress em detrimento da obra fechada: o filme, pelo que vi, trata da adolescência de alguns amigos, e parece fazer isso muito bem. Torço muito pra que ele ganhe logo uma versão final e que ela circule bastante por aí - pelo que vi, acho que bastante gente vai curtir.
Escrito por daniel às 03h51
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