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sobre a expressão "novíssimo cinema brasileiro"

Pra quem se pergunta "quando surgiu essa expressão 'novíssimo cinema brasileiro'?", existe uma resposta possível. Em 13 de agosto de 1970, Jairo Ferreira publicou o seguinte no São Paulo Shimbum:
"Se ninguém mais sabe o que critica, muito menos saberão da autocrítica. E em Audácia! há uma autocrítica justamente de uma das tendências mais críticas do novíssimo cinema brasileiro."

Acho que hoje já podemos aceitar sem muita discussão que os filmes a que o Jairo se referia representavam, de fato, um "novíssimo" estilo de cinema, compondo o que hoje costuma ser chamado de Cinema Marginal. Desde então, quantos "novíssimos" surgiram e quantos conseguiram de fato se distinguir do que veio antes e depois?
Talvez a pergunta boa seja outra. Admitindo o aspecto inevitável do tempo, em que gerações se sucedem umas às outras, a dúvida que o uso dessa expressão me provoca é o seguinte: em que medida há algo realmente novo surgindo a cada vez que ela é usada? e em que medida essa expressão serve apenas para mascarar uma espécie de preguiça novidadeira?
Às vezes essas expressões genéricas e um tanto vazias me parecem querer esconder uma preguiça que torna os filmes distantes, em que o "novíssimo" de hoje serve para tomar o foco das atenções e sugerir uma falsa impressão de mudança de panorama. 
Aí quem quer apenas falar (bem ou mal, não importa) pode usar expressões genéricas sem ter que observar cada um dos filmes e encarar de fato suas características - os aspectos que os aproximam e os distinguem uns dos outros.



Escrito por daniel às 03h30
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um comentário de Rosenfeld

"Em todas as épocas clássicas o artista aceitou o compromisso entre a encomenda social e o sonho individual: sua obra representava a encruzilhada entre o seu caminho solitário e o caminho coletivo dos outros, tornando-se ponto de encontro e festa de confraternização. E a própria autonomia da arte consiste em aceitar a imposição da encomenda, impondo a ela, simultaneamente, a sua magia.

O artista de poucos recursos, que nunca acerta ou nunca aceita a demanda de nenhum mercado ou de nenhum patrão, tem hoje como sempre o pleno direito de vender sabonete ou de morrer de fome; e esse privilégio é também direito inalienável do cineasta que não aceita compromissos com a empresa. Com uma diferença: o poeta pode expressar-se, guardar os seus poemas na gaveta e aguardar, por assim dizer, o veredicto da posteridade. O cine-diretor, porém, geralmente só se pode expressar se, desde o início, comprometer-se a trabalhar para os contemporâneos –e para o máximo de contemporâneos, pois a empresa não pode esperar a ovação da posteridade ou satisfazer-se com o aplauso de “igrejinhas”."

Tirado de Cinema: Arte e Indústria, do Anatol Rosenfeld.
Não diria que concordo inteiramente, mas vale a discussão.



Escrito por daniel às 02h36
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Tom Jobim segundo a música

O filme dirigido pelo Nelson Pereira e pela Dora Jobim é uma delícia de ver, com alguns momentos bem emocionantes. Dá vontade de rever logo no momento em que terminam os créditos. É até difícil e perigoso falar sobre ele, pelo risco já apontado pelo próprio Jobim, o de que as palavras não dão conta, não atingem o que é mais importante. E esse gesto - o esforço de contextualizar e racionalizar - contraria essa ambição fundamental do filme, a de se sustentar apenas com a sensibilidade, com a capacidade estética, ou seja, esse maravilhamento que aquilo que a gente chama de arte pode nos causar. Uma pessoa que não se deixa afetar pela música de Jobim talvez simplesmente não consiga se envolver com o filme. O único método que o filme usa para desarmar isso é apresentar a própria música e mostrar os cantores e músicos como ícones dessa arte.
O filme aposta na capacidade de encantamento da música feita por Antonio Carlos Jobim. A aposta é sinal de força: se você não gosta dessa arte, amigo, azar o seu.

Naquela sucessão de apresentações de grandes músicos, senti aquele afeto de fã ao reconhecer um show em que eu estava presente na platéia em três instantes diferentes do filme. Acontece logo na primeira imagem do filme, quando Gal Costa cantou Se Todos Fossem Iguais a Você na homenagem ao compositor feita pelo Free Jazz em 1993. Ok, o show foi filmado em SP e eu vi ele no Rio, mas isso não importa. Outro foi quando Nana Caymmi cantou Sem Você acompanhada pelo próprio Jobim - foi no Riocentro, num show que uniu as famílias Caymmi e Jobim no início da década de 1990. O terceiro foi no revéillon de 1995-96.

Mas alguns trechos têm uma pregnância incrível, histórica+estética. Alguns ficam na memória. Sobretudo as cantoras: de Judy Garland, cuja imagem é especialmente forte, a Gal e Nana. O registro da Silvia Telles é incrível, não fica a dever a nenhuma gringa das que aparecem. E ver a Ella Fitzgerald cantar a sua versão de Desafinado é... enfim, é impressionante.
Além disso, aquelas imagens do Jobim tocando violão e cantando na TV americana, com direito ao acompanhamento de João Donato no piano e Tião Neto no baixo - sinceramente, espero que haja mais disso e lancem um DVD de A Música Segundo Tom Jobim com horas, dias, meses de material extra.



Escrito por daniel às 05h40
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"O Velho e o Novo" em Tiradentes

O Velho e o Novo, curtametragem que dirigi, vai ser exibido na Mostra de Tiradentes daqui a pouco mais de uma semana, na noite de 23 de janeiro. Fica o aviso para os amigos e interessados que puderem aparecer para conferir.

É um filme que tem no elenco a Carol Pucu e o Otoniel Serra, que aparecem na foto abaixo, e mais Augusto Madeira e Gregório Duvivier. A produção foi feita pelo Núcleo Patricia Bárbara e por mim; a fotografia é do Marcinho Menezes; o som do Luís Eduardo "Bum" Carmo; direção de arte da Flávia Candida e da Marcelle Morgan; montagem do André Sampaio; música do Lucas Marcier; eu fiz também o roteiro.
É o ano começando, com algumas coisas bacanas prometendo acontecer.




Escrito por daniel às 06h04
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meus prediletos de 2011

A cada ano, sempre tem um monte de contratempos que impedem que a gente veja tudo que quer. Mas esse ano foi um pouco mais complicado, já que passei alguns meses fora do país, pesquisando e assistindo quase que apenas filmes experimentais feitos nos EUA. Então, perdi algumas coisas que muita gente considerou relevante. Isso logo se resolve, porém isso significa que, se feita daqui a mais tempo, essa lista seria diferente. Mas isso é óbvio e não importa.

Quem enxerga listas só sob a perspectiva da definição de cânones sempre se incomoda. Não há como tirar a razão, já que lista não é crítica, é apenas escolha. 
Mas fazer listas não se reduz a um esforço de definir eleitos, sempre sujeitos a revisão. Fazer uma lista tem um aspecto de exame de memória, de briga contra o esquecimento. E é divertido.

Dos que passaram em circuito no Brasil em 2011, meus prediletos foram:

- As praias de Agnes
- A pele que habito
- Caverna dos sonhos perdidos
- O palhaço
- Além da vida
+ dois que eu já tinha mencionado no ano passado e estrearam esse ano: RiscadoCópia fiel.
+ um que ainda não entrou em circuito: O homem que não dormia. Espero que estréie logo.
+ outro a estrear: O Gerente.
+ um curta: Quando morremos à noite.

E vale registrar a tremenda alegria (o termo é inevitável) por ter visto o Felipe e a Marina estrearem nada menos que três filmes da nossa produtora DM Filmes.



Escrito por daniel às 20h32
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Homens de Bem, um telefilme do Jorge Furtado

Terminou de ser exibido na TV há cerca de duas horas. Um telefilme feito pela Casa de Cinema, uma empresa produtora independente, para a Globo - exatamente o que a gente gostaria que acontecesse todas as semanas em todos os canais. Não vi divulgarem muito a exibição, mas provavelmente porque eu não sou um espectador exemplar de TV. Cada um pode ter a opinião que quiser do filme, mas ele é mais uma prova de que há sim produtoras independentes capazes de produzir trabalhos que claramente não são inferiores ao que é produzido pelas próprias emissoras. Conforme determina a constituição no artigo 221, lei nunca cumprida...

Homens de bem tem como protagonista um araponga, um desses sujeitos que fazem espionagem e grampos no meio político de Brasília, servindo como braço oculto de gente da polícia federal. A trama é um fiapo que não faz muito sentido: duas operações policiais são feitas de modo ilegal para tentar encontrar provas de corrupção contra um político, num caso, e contra um empresário que pretende suborná-lo, no outro. O personagem do Rodrigo Santoro é aliado de um dos grupos da PF e arma uma cilada para conseguir provas contra o tal político.

O filme é meio esquisito, tem algumas coisas boas, mas muita coisa parece não dar certo. Me pareceu transmitir a mesma preguiça dramatúrgica e cênica do Saneamento Básico, em que os dramas íntimos dos personagens parecem não ter muita importância ou serem meio forçados para tentar criar alguma densidade; como no Saneamento, parece que o importante não são os personagens e seus dramas, mas a o significado metafórico do enredo, aquilo que o filme "quer dizer".

Essa sensação de uma falta de labor das questões dos personagens enfraquece o filme. A boa atuação do Rodrigo Santoro acaba mascarando boa parte dos problemas do personagem dele (como toda a subtrama sobre teste de DNA, que não é nada convincente), mas não sei se a Débora Falabella foi a escalação ideal para uma personagem que transita de femme fatale a mãe de família.

De todo modo, o que o filme tem de mais curioso e interessante é o movimento "errado" dele, esse esforço de falar de personagens e questões que são discutidos por todo mundo, que estão nas capas dos jornais.
É bem revelador que o Furtado tenha se juntado ao Guel Arraes dentro da Globo e esteja direcionando vários esforços para esse tipo de empreitada - telefilmes a serem exibidos em rede nacional pela grande emissora. À parte seus problemas, o Saneamento Básico tratava explicitamente de um mal-estar por fazer filmes caros que são pouco vistos e não conseguem corresponder ao desejo do cineasta em intervir diretamente no cotidiano da sua sociedade. Assim como o Furtado, que começou fazendo curtas, o Arraes também se envolveu com cinema no princípio. Não é simples dizer o que move uma pessoa do cinema para a TV - pode ser o salário fixo, pode ser a produção contínua, mas pode ser também a ambição de atingir um número muito maior de pessoas do que o cinema consegue atingir hoje. 
Sob esse aspecto, é natural que um filme que queira tratar do ambiente espionagem e corrupção na Brasília dos dias de hoje queira chegar a um grande público - e a TV seja o caminho mais natural.

Isso cria uma situação meio paradoxal, porque o Furtado, como se sabe, é simpatizante assumido do PT e do atual governo, fazendo muitas e constantes críticas à imprensa e à oposição no seu blog. Já a Globo, digamos que não é bem assim, antes pelo contrário.
Aí, no meio do filme, uma repórter que acompanha a operação policial ilegal que irá acontecer pergunta à delegada responsável: "O deputado é do governo ou da oposição?". A delegada responde com uma pergunta: "Qual é a diferença?". E a repórter arremata: "Para mim, nenhuma. Mas para o meu chefe pode ter."

Legal que a Globo teve esse fair play de topar exibir isso. Não sei se fair play ou cara de pau, mas legal, legal mesmo - ainda bem que foi discreto...
Seja como for, essa origem ambígua pode revelar algo do filme e do seu movimento confuso. Talvez por isso o filme pareça não saber para que lado ir. Ele revela um grande mal-estar com a sensação de corrupção ampla e disseminada, mas no fim das contas o político é honesto, a PF é um antro de patetas.

Nesse sentido, talvez esse seja o filme possível para uma leitura imediata de "A privataria tucana", o tal livro tão falado. Pois é, eu li o livro. Vou ver se escrevo algo sobre ele aqui, mas isso fica para mais tarde.



Escrito por daniel às 02h11
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As Canções e a boa sensação de gostar das pessoas

Há pouco mais de dois anos, depois que estreou Moscou, eu publiquei um texto na Cinética em que fazia alguns comentários sobre a angústia criativa que o filme transmitia - a sensação de querer, de toda maneira, buscar algo novo, sem repetir procedimentos e resultados dos filmes anteriores. "Esse gesto de busca, de evitar a manutenção de uma postura granítica, indica a crônica insuficiência, para esse autor fantasmático, do que se fez antes. Se ao trabalho bastasse mostrar a beleza do encontro entre o cineasta e o outro, não haveria nada de errado em filmar centenas, milhares de vezes filmes similares a Edifício Master, encontrando a cada vez novas pessoas, novos outros", eu escrevi na época.

A maior parte dos textos sobre As Canções fala da repetição de procedimentos e da falta de novas ambições e invenções mostrada pelo filme - acho que com razão. Os procedimentos são similares aos filmes anteriores do Coutinho, não há essa sensação de busca de novos sentidos e formas para a representação documental. As canções parece ser território seguro, para alguns até repetitivo demais.
Aí eu discordo um pouco. O procedimento é o mesmo; nesse filme Coutinho não faz questão de ser moderno, inovador. Mas seu procedimento aponta o mundo, aponta as pessoas -  e, como os impressionistas já nos revelaram há mais de um século, a cada vez que olhamos para o mundo ele se mostra um pouco diferente, com novos mistérios se revelando.
Como (quase) sempre, Coutinho apontou sua câmera e suas questões para pessoas falarem de si. Através da sua estratégia já nossa conhecida, essas pessoas revelam histórias pessoais e nos deixam ver suas emoções, em todos os casos relacionadas a amores profundos, aflorarem por alguns instantes. Quem for em busca de um filme formalmente inovador talvez se desaponte com As Canções. Mas, se o filme nos permite sentir em nós com alguma força essas emoções partilhadas por outros, ele não precisa de nenhuma defesa além de lembrar que a vida tem seu encanto.



Escrito por daniel às 06h20
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João Donato no final da década de 80 - no youtube

Como se pode conferir no levantamento feito pelo Dicionário Cravo Albim, entre 1975, ano do LP Lugar Comum, e 1996, ano do CD Coisas Tão Simples, João Donato fez participações e arranjos em vários discos de colegas, mas lançou apenas um disco seu - o Leilíadas, gravado ao vivo em 1985 (infelizmente até hoje nenhum selo se animou a relançar em CD). Então, vale comemorar que algumas gravações dessa época tenham aparecido no youtube.


















Escrito por daniel às 03h37
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"Tudo que acontece é bom"

Já está disponível on-line a edição 55 da Filme Cultura, que teve como tema uma homenagem ao nosso falecido editor Gustavo Dahl, com direito à republicação de vários textos antigos dele, além de mais um bocado de coisas. A edição inteira pode ser baixada em pdf aqui.

No site da revista também há dois documentos publicados na íntegra: um projeto de uma "fábrica de conteúdo audiovisual radical" e uma carta imensa e muito interessante, escrita pelo Gustavo em 1962, quando morava na Europa, para Paulo Emilio Salles Gomes. Essa carta tem um tom de intimidade e sinceridade que torna a leitura um pouco desconcertante, uma vez que trata de alguns personagens históricos do cinema brasileiro e mundial. Está aqui.



Escrito por daniel às 02h16
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ainda sobre os náufragos

Os dois planos narrativos da peça são compostos por grandes coletivos: a equipe que produz o filme mudo é comandada pelo diretor e pela operadora de câmera, enquanto o grupo de viajantes que naufragam numa ilha, no filme que está sendo feito, é formado pelo acaso e é o seu destino que acaba se tornando a fábula central para a peça. Em dado momento, devido a circunstâncias externas, esse grupo passa a ser considerado o povo da ilha, com direito sobre seu território; a partir daí, começam a projetar as bases para uma nação guiada por uma utopia igualitarista, num sonho que se desfaz em poucos minutos, tão logo a ambição toma lugar. Daí a sede pelo ouro provoca uma onda de violência, inviabilizando a sociedade utópica e levando dois habitantes anteriores do lugar, o europeu João Salvador e seu amigo índio, a se afastarem e buscarem construir em outro local um farol para novos navegantes.

Alguns detalhes enriquecem o sabor, a começar pelo prólogo e seu contexto político: enquanto o grupo que produz o filme vive às vésperas da primeira guerra mundial, o filme se inicia justamente com o assassinato  de um arquiduque austríaco em meados do século XIX, décadas antes do atentado de 1914. A diferença entre os eventos é que é esse arquiduque assassinado no filme mudo quem traz o discurso utópico ao filme, como se ali estivesse sendo assassinada pela primeira vez a chance de que o projeto expansionista e colonialista europeu desse lugar ao projeto igualitário de união européia. É nesse sentido que se torna bem importante para o diretor do filme mudo (logo, para a peça) que fique claro o aspecto utópico do sonho europeu do arquiduque (como é dito, a síntese dos seus princípios é a Europa); sonho que -  a partir da presença do próprio João Salvador, amigo do arquiduque assassinado - vai se refletir no grupo que cria a pequena nação numa ilha entre Chile e Argentina. Para este grupo que inventa sua utopia nos confins do Sul da América, o nome do sonho não é mais Europa: é Humanidade. Seus objetivos vão além da união dos povos: eles incluem toda sorte de marginalizados pela sociedade européia da época, como mulheres e pessoas de outras etnias. Os personagens são bem explícitos ao apresentar sua referência central: a crítica de Marx à sociedade ocidental da época e, em consequência, a sua proposta comunista.


Não é à toa ou por mera curiosidade histórica, portanto, que a questão central para a peça seja a crise melancólica das utopias. Ao revisitar as raízes do sonho igualitário europeu e a sombra das grandes guerras colonialistas, e ao reinventar a narrativa da construção fracassada de uma nova sociedade, Os náufragos do Louca esperança torna bem claro o seu título e o sentido do seu final fabulesco: a construção de um farol logo além do fim das utopias, para tentar iluminar os caminhos de quem estiver disposto a por lá se aventurar.
Nesse sentido, o espetáculo é cheio de sentimento e fúria, mas não só: em meio à neve de papel e o pássaro de arame, tem algo mais que ele agita no mar.



Escrito por daniel às 00h23
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